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Value Investing

O que é “value investing”?

Literalmente traduzido como “investimento em valor”, value investing é uma abordagem de investimento que combina a análise fundamentalista com a observância do princípio da margem de segurança¹.

Para que essa combinação possa ser feita, é necessário que o praticante desassocie o preço do ativo analisado de seu valor intrínseco e compre ou venda o ativo conforme a diferença entre essas duas cifras (preço e valor).

Quando e onde surgiu o value investing? É difícil dizer… Pode-se argumentar que o value investing tenha nascido juntamente com o comércio, uma vez que receber mais valor do que o preço pago (“comprar bem”) ou entregar menos valor do que o preço recebido (“vender bem”) são resultados possíveis em virtualmente qualquer negociação, já buscados por comerciantes há milhares de anos.

Formalmente, contudo, o value investing nasceu em 1934, com a publicação de “Security Analysis”. Nesse livro, Benjamin Graham e David Dodd organizaram a estrutura filosófica e as técnicas dessa abordagem de investimento, cujo ensino fora iniciado por Graham em 1929 na Columbia University, em Nova York. Foi justamente por ter perdido boa parte de seu patrimônio durante a Grande Depressão que Graham se propôs a desenvolver regras que garantissem o sucesso do investidor, independentemente de ser o mercado ascendente ou descendente.

“Security Analysis” foi posteriormente complementado por outra obra de Graham — menos acadêmica e já traduzida para o português —, “O Investidor Inteligente”, amplamente considerada o melhor livro sobre investimentos já escrito.

Outro legado importante de Graham é ter sido quem inicialmente treinou Warren Buffett, segundo homem mais rico do mundo e tido como o melhor investidor da atualidade. Buffett, que no início de sua carreira, à la Graham, optava por maior diversificação e mantinha o foco em aspectos quantitativos de seus investimentos (índices P/L e P/VP, preço em relação ao “ativo circulante líquido” etc.), ao longo dos anos e sob influência de seu sócio, Charlie Munger, passou a preferir a concentração e o foco em aspectos qualitativos (identificar vantagens competitivas e a sua durabilidade) e, dessa forma, divergiu do estilo original de Graham.

É importante notar que, obedecendo à regra de sempre se comparar o preço com o valor, a escola do value investing é mais ampla do que alguns presumem e não está restrita ao mercado de capitais (por exemplo, podemos exigir uma margem de segurança na compra de imóveis). Além disso, é equivocada a distinção — criada por participantes do mercado — entre “value investing” e “growth investing”: vários value investors, dentre eles o próprio Buffett, explicam que o crescimento é apenas um dos componentes na determinação do valor e, nessa condição, devidamente avaliado pelo investidor sensato. Munger resume bem: “todo o investimento inteligente é value investing”.



¹ Nas palavras de Benjamin Graham: Defrontados com o desafio de destilar o segredo do investimento sólido em três palavras, arriscamos o lema: Margem de Segurança.”

 

Value Investing no Brasil

O mercado de capitais brasileiro tem suas peculiaridades. É um mercado relativamente novo, com mentalidade de curto prazo, com altas taxas de juros, com poucas empresas de controle pulverizado e com o seu principal índice (o Ibovespa) sujeito à concentração demasiada em empresas de um mesmo setor, por serem essas as mais negociadas no mercado (é o caso hoje das produtoras de commodities, bastante dependentes de ciclos macroeconômicos e da fome mundial por matérias-primas; foi também o caso, no fim dos anos 90, das empresas de telecomunicações).

Nada disso impede a prática do value investing. As características e a mecânica do mercado brasileiro apenas exigem que o investidor ajuste os princípios e práticas que funcionam em todos os outros mercados — observar uma margem de segurança, atuar dentro de seu círculo de competência, saber diferenciar investimento de especulação (mantendo o foco no primeiro), conhecer as emoções (do próprio investidor e também do mercado, coletivamente) resguardando-se contra suas armadilhas, compreender vantagens competitivas, estudar a contabilidade das empresas, a dinâmica de seus fluxos de caixa, suas esferas de controle etc.

Na verdade, na medida em que as peculiaridades do mercado brasileiro criam discrepâncias entre preço e valor, elas criam as próprias oportunidades de que value investors podem se aproveitar. Cabe a cada um de nós identificar essas oportunidades…

 

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